O QUE É UMA DIETA CETOGÊNICA (KETO)?

É algo que você deveria fazer pela sua saúde? E por que ela é tão popular?

A maioria das dietas que geralmente aparecem na mídia podem ser descritas como “dietas da moda”, como algo passageiro , que não é sustentável, nem um “estilo de vida”. Na maioria das vezes tem o nome de uma celebridade por trás da dieta responsável por você adquirir uma certa forma física, e não demora muito pra que ela se torne popular e as pessoas comecem a se perguntar… será que eu deveria comer assim também? Seja uma dieta com contagem de calorias, ou fazendo restrições, ou limitando determinados grupos importantes de alimentos sem motivo, ou apenas incentivando a sua culpa por comer, elas geralmente não são algo voltado pra você você se sentir melhor, pra você respeitar o seu corpo e ficar em paz com a comida. Por isso, decidi que era hora de falar sobre o que sabemos sobre a ciência por trás da cetose, o que significa uma dieta cetogênica, e se essa é uma ótima escolha para sua saúde.

COMO CHEGAMOS AQUI?

A popularidade da Dieta Cetogênica (que claro, não é pra todo mundo!) está crescendo à medida que mais e mais pessoas descobrem seus notáveis efeitos positivos, especialmente os benefícios do jejum intermitente e na sua capacidade de auxiliar na perda de peso, melhorando o processo digestivo, possíveis melhoras na função cognitiva e etc. A dieta keto não surgiu da noite para o dia, porque ela vem sendo utilizada clinicamente há muitos anos para ajudar em diversos desafios médicos, especialmente pessoas com epilepsia e convulsões. O que é “novo” é o fato dela ter se tornado uma “dieta da moda”.

As dietas restritivas em carboidratos como Atkins, South Beach, Dukan e alguns modelos Paleo ganharam popularidade declarando ajudar pessoas a perder peso rapidamente, enquanto algumas pessoas que desfrutam desses benefícios, sustentam a dieta como um estilo de vida, nutrindo o apelo para a questão geral da longevidade. Talvez tenha sido a evolução das dietas de baixo carboidratos com a consequente exposição midiátiva cobrindo extensivamente esse tópico, que tenha feito a dieta cetogênica ganhar tanta popularidade e se tornar uma tendência, mas principalmente a epidemia de obesidade e o desespero das pessoas em encontrar uma solução – digamos, “rápida” – é algo para refletir sobre o efeito viral de uma dieta.

O QUE É “CETOGÊNICO” (A DIETA)?

Ao contrário da maioria das dietas da moda, a dieta cetogênica é literalmente usada como terapia nutricional médica (ou seja, é baseada na ciência da nutrição para certas condições de saúde). Trata-se de uma estratégia nutricional que enfatiza a quantidade e proporção de gordura que você está comendo em relação à quantidade de carboidratos, proteínas e fibras, afim de promover o estado metabólico natural de cetose, no qual seu corpo passa a usar a gordura (corpos cetônicos) como fonte principal de energia, em vez de carboidratos (glicose). Outro braço da dieta cetogênica que se tornou muito popular, é combiná-la com o jejum intermitente. Apenas uma observação rápida sobre o jejum: alguns pesquisadores tem explorado isso em conjunto com a dieta cetogênica desde a década de 1920, devido aos seus inúmeros benefícios para a saúde. (1) O jejum, ou o consumo de menos de 50g de carboidratos por dia, faz com que o fígado produza corpos cetônicos como subprodutos, a fim de preservar a glicose e fornecer energia às células para funcionar.

O principal objetivo quando se usa a estratégia da dieta cetogênica é promover o estado metabólico de cetose, no qual seu corpo passa a usar a gordura (corpos cetônicos) como fonte de energia principal, em vez de carboidratos (glicose).

A partir daqui, podemos afirmar que toda dieta cetogênica é low carb (baixa em quantidade de carboidratos), mas nem toda estratégia low carb é cetogênica. Assim, você começa a perceber que não basta só retirar o carboidrato, nem só comer muito bacon e óleo de coco no café, pois existe uma razão entre a proporção de macronutrientes, que precisa ser respeitada para que o corpo consiga entrar em cetose e preservar esse estado por algum tempo. Quando você se alimenta respeitando as proporções, o seu corpo substitui a fonte primária de energia, que antes era gerada a partir de carboidratos (glicose) e passa a identificar a gordura como o principal combustível,produzindo o corpos cetônicos.

Uma dieta cetogênica é composta de cerca de 70-75% de suas calorias diárias de gordura, com 20-25% de proteína e apenas 5-10% de carboidratos.

Essa redução drástica na quantidade de carboidratos é o que faz com que o seu corpo se organize para utilizar uma nova forma de produzir energia, que se dá através dos corpos cetônicos. Muitas pesquisas encontraram ligações entre a dieta cetogênica e a perda de peso, (2, 3, 4) e mostraram resultados significativos de que uma dieta cetogênica proporciona perda de peso mais rápida do que uma dieta tradicional com baixo teor de gordura ou uma dieta mediterrânea. (5) A dieta cetogênica também demonstrou capacidade de melhorar os níveis de açúcar no sangue e aumentar a sensibilidade à insulina em pessoas com Diabetes Tipo 2 e elevar os níveis de colesterol a curto prazo, mas não há pesquisas que apoiem seus efeitos a longo prazo sobre diabetes ou colesterol alto. (5)

Entretanto, vale lembrar que a dieta cetogênica é muito restritiva para a maioria das pessoas, já que apenas 5-10% de suas calorias diárias são provenientes de carboidratos. De acordo com o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro consome, em média, cerca de 55-75% de suas calorias diárias em forma de carboidratos por dia, e aproximadamente cerca de 51kg de açúcar por ano. São mais de 4kg de açúcar por pessoa por mês. Esse consumo excessivo de açúcar contribui para a morte de 35 milhões de pessoas por ano no mundo, o equivalente a população do Canadá. Então, uma vez que é uma dieta tão limitante nesse macronutriente específico, é muitas vezes difícil de se sustentar a longo prazo, o que leva a maioria das pessoas não desfrutarem dos verdadeiros benefícios dessa estratégia, que acontecem usualmente com a prática consecutiva da dieta por no mínimo 3 meses.

QUEM PRECISA DE DIETA CETOGÊNICA?

Mais uma vez, vale lembrar que a dieta cetogênica é uma estratégia nutricional que foi originalmente criada para tratar pacientes – especialmente crianças – com quadro de epilepsia e convulsão, e atualmente está fortemente associada à melhora no tratamento de Autismo. Alguns pesquisadores observaram as propriedades anticonvulsivas do jejum (7, 8), mas para a grande maioria das pessoas interessadas em tentar uma dieta cetogênica, pode ser usada com o objetivo primário de perda de peso, mas como consequência, também é possível obter maior clareza mental e aumento relevante da energia e disposição. Entretanto, existem alguns perfis considerados ideais para o uso de uma estratégia de baixos carboidratos, no qual a literatura é tão forte, que é preciso indicar para estas pessoas. São eles:

  1. Diabetes
  2. Síndrome Metabólica
  3. Síndrome dos Ovários Policísticos
  4. Obesidade

O que sabemos e para quem isso não serve: a não ser quando indicado e prescrito por um nutricionista, não existe necessidade de utilizar uma estratégia cetogênica se você estiver grávida, amamentando ou tiver um passado com algum tipo de transtorno alimentar. Se você tem algum problema de doença renal, pâncreas, fígado ou rim, não é recomendado que você inicie a dieta cetogênica por conta própria, pois ela provoca muito estresse no fígado e nos rins, e pode piorar as condições renais. (5) Segundo o Dr. José Carlos Souto, pessoas com IMC muito baixo, menor de 18, considerando pessoas geneticamente magras demais, que geralmente precisam comer mais para ganhar massa magra, para ganhar peso, a estratégia de baixos carboidratos inibe o apetite naturalmente e pode não ser interessante. Existem também pessoas que são hiper-responsivos, que fazem a dieta de baixo carboidrato, têm benefícios, mas o colesterol aumenta muito: não falo de 170 pra 220, mas para 400. Não se sabe bem ainda o que ocorre, mas parece que é um polimorfismo genético. Nesses casos, não há necessidade de fazer com que o corpo entre em estado de cetose, mas apenas uma dieta com carboidratos moderados seria o suficiente. Também, existe um grupo de pessoas que, se são hiper-responsivas, têm que mudar o perfil das gorduras. Menos torresmo, porco e mais nozes e castanhas, peixes e abacates. Lembrando que estratégias de baixos carboidratos não são sinônimos de “se entupir” de gordura saturada. Alguns pesquisadores dizem que o gene ApoE4 pode estar associado à essa resposta do colesterol. Não há um estudo concreto sobre isso ainda, é apenas uma hipótese. Como ninguém sabe, na dúvida, deixemos o colesterol um pouco mais baixo nestes casos. Além disso, apesar de diversos relatos de caso de pessoas que estão há anos dentro de uma estratégia cetogênica, tendo inclusive adotado a dieta como estilo de vida, ainda não há pesquisas suficientes para determinar se a dieta cetogênica deve ser usada a longo prazo e que efeitos ela pode ter no corpo.

O VEREDITO FINAL

Embora hajam muitas pesquisas promissoras com certas condições e benefícios para a saúde, não é a única estratégia de emagrecimento que existe e ainda não é a favorita da ND (Nutrição Descomplicada), com base no fato de que você tem que conscientemente limitar esses vegetais todos os dias por um longo período de tempo! A filosofia nutricional aqui da Nutrição Descomplicada enfatiza o poder de ingredientes como carnes, ovos, vegetais, frutas, nozes, legumes e sementes para benefícios para o corpo. Nós amamos nossas gorduras saudáveis ​​e definitivamente as encorajamos em cada refeição para ajudar nosso corpo a absorver vitaminas lipossolúveis como A, D, E e K – mas também amamos nossos vegetais, desfrutando de grandes saladas, smoothies e frutas. Então, antes de sair correndo pra começar mais uma dieta, procure se informar ao máximo sobre ela! Saiba que há uma pesquisa mista sobre cetose atualmente, e ainda há muito mais que precisamos saber. Se você faz parte do grupo de risco que se beneficiaria com essa estratégia, além de se informar, procure um profissional Nutricionista para te orientar e te ajudar com o cardápio e escolhas alimentares.

REFERÊNCIAS

  1. Wheless, J. W. (2008, November). History of the ketogenic diet.
  2. Willi, S. M., Oexmann, M. J., Wright, N. M., Collop, N. A., & Key, J. R. (1998, January). The effects of a high-protein, low-fat, ketogenic diet on adolescents with morbid obesity: body composition, blood chemistries, and sleep abnormalities.
  3. Manninen, A. H. (2006). Very-low-carbohydrate diets and preservation of muscle mass.
  4. Westman, E. C., Mavropoulos, J., Yancy, W. S., & Volek, J. S. (2003, November). A review of low-carbohydrate ketogenic diets.
  5. Campos, M. M. (2017, July 18). Ketogenic diet: Is the ultimate low-carb diet good for you?
  6. Austin, G. L., & Ogden, A. L. (2011, April 01). Trends in carbohydrate, fat, and protein intakes and association with energy intake in normal-weight, overweight, and obese individuals: 1971–2006.
  7. Fukao, T., Lopaschuk, G. D., & Mitchell, G. A. (2004, March). Pathways and control of ketone body metabolism: on the fringe of lipid biochemistry.
  8. El-Mallakh, R. S., & Paskitti, M. E. (2001, December). The ketogenic diet may have mood-stabilizing properties.
  9. Dietary ketosis enhances memory in mild cognitive impairment. (2010, December 03).
  10. The effects of the ketogenic diet on behavior and cognition. (2011, August 27).
  11. Baranano, Hartman. The Ketogenic Diet: Uses in Epilepsy and Other Neurological Illnesses.
  12. G. Heo, S. H. Kim, M. J. Chang, Effect of ketogenic diet and other dietary therapies on anti-epileptic drug concentrations in patients with epilepsy, Journal of Clinical Pharmacy and Therapeutics, 2017, 42, 6, 758
  13. Does “low carb” have an official definition? Examine

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